29.9.13

Inverno 2014


Uma narrativa dos estilos de vidas encontrados em cada região do Brasil com pesquisas que inspiram artistas para a criação nacional. Com esse propósito a ABEST (Associação Brasileira de Estilistas) lança a sexta edição do +B Inspiração Brasil e a primeira sobre Inverno. O livro tem a intenção de servir como plataforma de referência a estilistas, designers, artistas, estudantes de moda e outros profissionais que identificam e relacionam seu trabalho ao país. O material, que conta com o apoio do Sebrae e da Apex-Brasil, é retratado em três temas: Luar, Quentão e Bossa.


Luar: As noites ficam mais belas no inverno, com céu limpo e estrelado
O primeiro tema do livro é marcado pela beleza do céu no inverno no sul do Brasil. Com as temperaturas mais baixas, a região fica ainda mais mágica com o luar e as estrelas iluminando as paisagens. Um verdadeiro convite para aproveitar a estação e enaltecer os mistérios e encantos de uma noite com céu azul escura aveludada com toques prateados dos pontos de luz mágicos procedentes do infinito.
Quentão: Cores, alegria e calor. Da aristocracia a festa popular
Quadrilha, dança, festa, música, fogueira, comidas típicas, arrasta-pé, cores quentes e alegres, bandeirinhas e animação. Com esse espírito o Brasil celebra as festas juninas. Em especial no norte e no nordeste, este período do ano ganha um colorido diferente, exuberante, influenciado pela corte francesa no Brasil. A dança realizada, aqui, pela aristocracia nos séculos XVI e XVII ganhou um olhar abrasileirado e mais popular com o passar dos tempos.
O tema Quentão mostra a riqueza das rendas, das estampas, das cores quentes e o desejos de esquentar o corpo dançando, seguindo o compasso da zabumba no chão de terra batida. A mistura das tramas, a mescla de tecidos e a vibração da quadrilha faz a alegria dessa festa popular.
Bossa: Aconchego, música e vinho em boa companhia
A última etapa do livro demonstra o universo mais aconchegante das pessoas. O retrato puro, simples e o preto e branco das capas dos discos da Bossa Nova, o recolhimento e intimidade das metrópoles brasileiras nos tempos de inverno. Nada melhor do que escutar uma boa música. Em formas geométricas e com a cartela de cores em tons de branco e preto, com toques de neon e nuances de cinza, o tema transmite o encontro com a musicalidade, os acordes do violão que aquecem as noites frias das metrópoles nessa época do ano. A bossa traz minimalismo e o movimento concretismo nas artes plásticas e na arquitetura.

15.9.13

Uma vez fui viajar e não voltei.

Vale apena conferir. 
Palmas Tocantins, 2012
Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei.
Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador.
Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos.
Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito.
Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma.
Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores.
Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha memória compartilha do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares.
Fiz amigos de verdade. Amigos de estrada não sucumbem ao espaço e nem ao tempo. Amigos de estrada cruzam distâncias; confrontam os anos. São amizades que transpassam verões e invernos com a certeza de novos encontros.
Vivi além da minha imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e consciência.
Redescobri o que me fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do que uma rotina qualquer permitiria.
E quer saber?
Conheci outras versões da saudade. Como nós, ela pode ser dura. Mas juro que tem suas fraquezas. Aliás, ela pode ser linda.
Com ela, reavaliei meus abraços, dei mais respeito à algumas palavras e me apaixonei ainda mais por meus amigos e minha família.
E ainda tenho muito que aprender.
Na verdade, tais experiências apenas me dirigem para uma certeza – que ainda tenho muito lugar para conhecer, pessoas a cruzar e conhecimento para experimentar.
Uma fez fui viajar…
e foi a partir deste momento que entendi que qualquer viagem é uma ida sem volta.
(Marcelo Penteado)

Fonte  http://sigoescrevendo.com/2013/08/26/uma-vez-fui-viajar-e-nao-voltei/