É comum entre os bureaus de pesquisa de tendências (empresas que detectam, traduzem e divulgam as tendências, e informam as empresas da área) dividirem suas descobertas em temas ou macrotendências. Cada uma delas tem um “ambiente”, um clima, que é a parte mais conceitual e comportamental; e depois tem as informações mais práticas como cartela de cores, tecidos e ideias para moda feminina, masculina, infantil e íntima. Como podem perceber, essas pesquisas são feitas com anos de antecedência (e não é adivinhação, é enxergar um futuro a partir da análise do presente).
Para essa estação, o WGSN detectou três histórias: Primal Futurism, Cinematic e JPEG Gen.
Primal Futurism
Insatisfação com o presente, por isso olhamos para o passado para termos uma nova perspectiva de futuro. A volta das origens primitivas com o uso da alta tecnologia. Novos materiais, texturas, ecologia, formas orgânicas, simples, cores claras.

É a primeira grande tendência para o próximo ano e pode ser resumida na busca do original, do primitivo e do étnico com uma estética hi-tech. É uma forma de questionamento às nossas origens, com o resgate ou a criação de novos mitos. É a utilização de ferramentas que nos ajudem a construir um novo mundo. No design, essa tendência poderá ser identificada com a inspiração nos alimentos e no desenvolvimento de materiais sintéticos que pareçam naturais. Para o turismo, terá reflexo na procura por viagens a lugares mais espirituais. Já para o luxo, será a procura por experiências sensoriais, a busca por menos ostentação e prática da responsabilidade financeira. Porém, a verdeira mudança no consumo do luxo só acontecerá por volta de 2020, quando a Geração Y se tornar o epicentro desse mercado.
Cartela de cores: branco desbotado e cores neutras.
Feminino: roupas texturizadas, minimalismo futurista, decomposição de cores, riqueza sem ostentação, influências de cortes japoneses, presença de formas de casulo, mix de influências etnográficas nas estampas – inspirações africanas e asiáticas na mesma peça, por exemplo.
Masculino: tecidos gastos com ares debotados, presença de abotoamento e inspiração na mitologia moderna espiritual.
Acessórios: tribalismo com cortes precisos e calçados com couro rígido e costuras.
Infantil: cores saturadas, animais místicos e grafismos rústicos.
Cinematic
Glamour retrô dos anos de ouro do cinema. Imagem cinematográfica como inspiração. Peças clássicas, ícones da moda saídos do cinema. Misturar os anos 50 com anos 90. E também a moda praia dos anos 60. Cores alegres, jovens, bonitos tons de rosa e azul.
É a segunda aposta do WGSN e é baseada na ideia de que os filmes desencadeiam memórias. Ou seja, podemos esperar muitas doses deglamour hollywoodiano. Essa tendência, na verdade, deve ser pensada como uma evolução do retrô e do vintage que vimos até agora. O estilo passará a ser a substância e as cores e luzes serão usados com escapismo e muito sofisticação. As marcas passarão a criar uma conexão sensorial com seus consumidores e contarão a história de sua história.
Cartela de cores: tons saturados alternam com os desbotados.
Feminino: inspiração em heroínas icônicas do cinema e no glamour que lembram os filmes de David Lynch dão lugar a florais e pregas irregulares. As mulheres passarão a se vestir como dama, por mais jovens que sejam. Serão sexys, porém suaves.
Masculino: referência à era de ouro do cinema e à Nouvelle Vague com trajes formais, ora relax.
Calçados: couro com muito brilho.
Infantil: cores açucaradas e ares resort.
Lingerie: transparências e sobreposições.
Jpeg Gen
A geração que passa o dia conectada na web e cria uma corrente de imagens. Colagens bizarras, humor, mix and matching, DIY (Faça você mesmo). Anonimato x Identidade. Mistura de referências, cores destoantes, cores das primeiras formatações do Windows. Mix de texturas e formas, sobreposições.
É a terceira e última tendência – e talvez a mais interessante. Está ligada à constante atualização e reciclagem e consiste na colagem divertida e espontânea de temas como moda, arte e cultura. A galeria de arte se transfere para o mundo online e os novos curadores passam a ser circuladores amadores de imagens. Essa tendência também tenta trazer algum controle ao caos em que vivemos com a combinação de opostos como minimalismo X excesso, ironia X inteligência, etc. É a geração “Like”, que responde instintivamente aos estímulos. Na moda, aparece sob a forma de tecidos tecnológicos que não desfiam, estampas holográficas e referências handmade.
Cartela de cores: tons neutros e limpos, porém muito aleatórios. Surgem referências ao color blocking dos anos 90.
Feminino: ares relax, formas quadradas e espontaneidade.
Masculino: pastiche, combinações de silhuetas, combinações abstratas, subtração das fronteiras entre contemporâneo e o vintage, entre o formal e o casual.
Acessórios: reciclagem de cores e materiais. Até o próximo!


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